Paro um instante, hesito. Sincero fui e serei sempre, mas posso jurar-me verdadeiro? Depende do conceito de verdade, se a óbvia, superficial e consciente, se a que emana incontrolável de camadas mais secretas e profundas. Pois a memória, ninguém duvida, é um poço de ilusões. Traiçoeira, seletiva e parcial, não vacila em preencher seus vazios com furtivos empréstimos da imaginação. Por mais que me defenda e acautele, estarei a salvo de suas armadilhas sedutoras? Serei capaz de impedir que aflorem sonhos e desejos submersos? Não importa.
Presença, Hugo Gouthier